"Odeio-me e quero morrer", Kurt Cobain
Vale sempre a pena dedicar algum do nosso tempo à descoberta de alguém. E se esse alguém é nada mais do que uma celebridade de dimensão mundial mas que nunca deixou de ser ninguém, então, muito mais vale a pena. E basta uma hora. Uma hora para a leitura deste registo auto-biográfico do último ícone do Rock. Uma hora de confidências, angústias, raivas, medos, sentimentos, emoções. Uma hora de clarividência, génio e demência. Uma hora de amor, ódio e desespero. Uma hora de paixão, entusiasmo e desilusão. Uma hora de Punk, Pop e Rock. Uma hora para lá do cabelo comprido e despenteado, da camisa à lenhador e das calças de ganga usadas e rotas. Uma hora com Kurt. Só uma hora, que nos dá tanto...
"Porém, diga-se de passagem, um homem sensato não existe, e se existisse, seria de certeza uma mulher; a demonstração mais evidente disso é que as guerras são declaradas sempre por homens e a combatê-las são quase somente eles: as mulheres são decidamente menos violentas e, se estivesse nas mãos delas o poder de desencadear uma guerra, o mundo seria de certeza um lugar muito mais pacífico."
"Sou uma pessoa demasiado instável e de humores, e agora, não experimento mais nenhuma paixão. Assim recordem-se que é melhor arder numa labareda do que enferrujar a pouco e pouco."
P.S Inspirado em Kurt, "Last Days" de Gus Van Sant vai estrear, por cá, em Setembro. A propósito da ante-estreia mundial, em Cannes, retive uma frase magnífica para a forma como Gus Van Sant realizou esta biografia não oficial: "A imagem integra os sons que a excedem, os sons existem para além do espaço onde são gerados —o cinema é essa arte de transcender todas as evidências de cada lugar."
Em Setembro, vou ver se assim é...


