Sexta-feira, Junho 10, 2005

"Odeio-me e quero morrer", Kurt Cobain

Vale sempre a pena dedicar algum do nosso tempo à descoberta de alguém. E se esse alguém é nada mais do que uma celebridade de dimensão mundial mas que nunca deixou de ser ninguém, então, muito mais vale a pena. E basta uma hora. Uma hora para a leitura deste registo auto-biográfico do último ícone do Rock. Uma hora de confidências, angústias, raivas, medos, sentimentos, emoções. Uma hora de clarividência, génio e demência. Uma hora de amor, ódio e desespero. Uma hora de paixão, entusiasmo e desilusão. Uma hora de Punk, Pop e Rock. Uma hora para lá do cabelo comprido e despenteado, da camisa à lenhador e das calças de ganga usadas e rotas. Uma hora com Kurt. Só uma hora, que nos dá tanto...

"Porém, diga-se de passagem, um homem sensato não existe, e se existisse, seria de certeza uma mulher; a demonstração mais evidente disso é que as guerras são declaradas sempre por homens e a combatê-las são quase somente eles: as mulheres são decidamente menos violentas e, se estivesse nas mãos delas o poder de desencadear uma guerra, o mundo seria de certeza um lugar muito mais pacífico."

"Sou uma pessoa demasiado instável e de humores, e agora, não experimento mais nenhuma paixão. Assim recordem-se que é melhor arder numa labareda do que enferrujar a pouco e pouco."



P.S Inspirado em Kurt, "Last Days" de Gus Van Sant vai estrear, por cá, em Setembro. A propósito da ante-estreia mundial, em Cannes, retive uma frase magnífica para a forma como Gus Van Sant realizou esta biografia não oficial: "A imagem integra os sons que a excedem, os sons existem para além do espaço onde são gerados —o cinema é essa arte de transcender todas as evidências de cada lugar."
Em Setembro, vou ver se assim é...

Terça-feira, Maio 31, 2005

"Planeta Tripax", by Morfeu

No Planeta Tripax, Rudo Konstavo (na adaptação cinematográfica contará com Keanu Reaves no papel principal) vive em Keobs, uma pequena cidade costeira com muitos semelhanças com Espinho.
Rudo está apaixonado por Ólanda Bloujov (a nossa Lúcia Moniz) e costuma exagerar nos Kovacs (qualquer coisa entre Croft e Constantino) enquanto ouve persistententemente Reive Troll, banda com influências dos Delfins, mas com uma sonoridade próxima de Marilyn Manson. Ólanda não está apaixonada por Rudo, mas sim por Tricks Bricks. Tricks (Patrick Duffy, o Bobby de Dallas, entretanto já redescoberto por Tarantino), é um Dunky Test Man da multinacional com o mesmo nome, empresa de software para Tupperwares. Solitário e instrospectivo, Tricks, nunca mais foi o mesmo desde o misterioso desaparecimento da sua amada, Blanche Noir (Barbra Streisand). Noir, enigmática e sonhadora, manteve uma intensa e tórrida relação platónica com Rudo.
Entre Fellini, Becket, Monty Phyton e Fialho Gouveia, a narrativa agarrará pemanentemente o leitor, que ficará ávido por conhecer o desenlace final desta louca e fascinante história de amor de outros tempos, de outros lugares.

Proximamente neste blogue, o primeiro capítulo de "Planeta Tripax": "O Hipopótamo de Keobs"

Segunda-feira, Maio 23, 2005

"Hal", Hal

O que estou a ouvir? Hal!
Influências: Brian Wilson, Phil Spector, Donovan, Jefferson Airplane, George Gershwin. Estranho? Não, nada estranho! Pop para a Primavera! Refrescante e azul mar, umas flores pelo meio e muitos assobios para o ar!
Já ouço os passarinhos a chilrear e as abelhas a zumbir!
Hein? Zumbir? Sou mesmo especial!
Ouçam! Vale a pena!

Day Highlight IV

Hoje, durante uma disputa matinal por um lugar que era meu, vi-me envolvido numa sessão do melhor vernáculo lusitano. O "tipo" em questão, abre a janela e perante a minha ousadia em não querer ceder, o que por direito, era meu, disse alto e bom som através do seu bigode farfalhudo:
"Seu filho da p..., vai para a p... que te pariu, meu cabrão de merda, vou-te f... meu g'anda c...anormal de um corno!"
Ao que eu ripostei:
"Não sou nada anormal, eu sou é especial!"
Ficou a olhar para mim, eu sorri com o meu sorriso "rainman", e ele, foi à vida dele.
Moral da história: Sou mesmo especial!

Sexta-feira, Maio 20, 2005

"Formato Mínimo", Skank

Quantas vezes não foi assim...

"Começou de súbito
A festa estava mesmo óptima
Ela procurava um príncipe
Ele procurava a próxima
Ele reparou nos óculos
Ela reparou nas vírgulas
Ele ofereceu-lhe um ácido
E ela achou aquilo o máximo
Os lábios se tocaram ásperos
Em beijos de tirar o fôlego
Tímidos, transaram trôpegos
E ávidos gozaram rápido
Ele procurava álibis
Ela flutuava lépida
Ele sucumbia ao pânico
E ela descansava lívida
O medo redigiu-se ínfimo
E ele percebeu a dádiva
Declarou-se dela o súdito
Desenhou-se a história trágica
Ele enfim dormiu apático
Na noite segredosa e cálida
Ela despertou-se tímida
Feita do desejo a vítima
Fugiu dali tão rápido
Caminhando passos tétricos
Amor em sua mente épico
Transformado em jogo cínico
Para ele uma transa típica
O amor em seu formato mínimo
O corpo se expressando clínico
Da triste solidão a rúbrica"

Jens Lekman said: "Time to adventure!"

Agora muito a sério! Comprem este Cd:

"When I said I wanted to be your dog"



É fantástico! Beck, Elliot Smith, Stephin Merrit, Rufus Wainwright, Jeff Buckley, tudo junto e numa g'anda salgalhada, directamente da Suécia, com amor!
Aqui, o rapaz, gosta de ouvir música evangélica sueca e depois faz um disco destes!
Se mesmo assim duvidarem, ouçam, por favor, esta canção e depois digam-me qualquer coisa:
"You are the light by which I travel into this and that"!
É a quarta...
Este Cd é notável! Para já, o meu número 1 do ano!

Algumas pérolas:

"Drinking cheap wine to bossanova, you're a supernova in the sky. The Jehovas in their pull-overs are no casanovas like you and I"

"When people think of Sweden I think they have a wrong idea, like Cliff Richards who thought it was just porn and gonorrhoea"

"Did you take tram number seven to heaven? Did you eat your banana from Seven Eleven?I'm driving in my daddy's car, life is aching in my heart if we someday have to part, where do I go when you take."

"And I saw my face on a screen they filmed us from a helicopter the most frightened face I've seen red in the face like a lobster"

Oh...Scarlett, why are you so perfect?

Confesso, sou culpado! Fui ver este filme por causa dela.
Como é que a conheci?
Foi no "Ghost World" do Terry Zwigoff (obrigado Alberto!), uma comédia negra genial, onde o mundo é mesmo diferente e a Scarlett é mesmo a cereja!
Depois veio o "Lost in Translation" e apaixonei-me! Pelo filme e por ela!
Agora, no "In Good Company", a confirmação! Como cantam os Wilco, numa das músicas da banda sonora, "True Love Will Find You In The End"!
Já só penso no "Match Point", e em vê-la através do olhar do "meu" Woody Allen!
E desespero para que o Clint Eastwood também pegue nela!
PLEASE, Clint, make my wish comes true!

Quinta-feira, Maio 12, 2005

Day Highlight III

Sala de reuniões, mesa enormeeeee em madeira (de carvalho, penso eu...) em redor da qual se senta toda a "classe dirigente" com os seus melhores "fatinhos" de trabalho. O ambiente é sério e formal mas agradável.
Liga-se o retroprojector Hitachi, surge a apresentação em "powerpoint" irrepreensível e de um rigor inexcedível.
O "pessoal" vai "aquecendo", vão saindo uns "bitaites" e a tensão vai subindo. Discute-se tecnologia e a velocidade das inovações tecnológicas desde as televisões 4x3 a preto e branco aos plasmas de não sei quantos milhões de pixeis, desde as fraldas de pano ás fraldas que absorvem, limpam, massajam e até assobiam!
O debate de opiniões, convicções e... puras palermices atinge o auge!
O ambiente está ao rubro: aquela que, ás 9.00 horas da manhã, era a sala ideal para a disputa do Campeonato de Mundo de Xadrez (mesmo com o Kasparov...) está transformada na melhor das Quintas das Celebridades mas só com Júlias Pinheiros e muitas!
Até que...repentinamente...um silêncio imperial e incómodo invade a sala.
O CEO interviu!
Trocam-se olhares, uns cúmplices e outros idiotas. A dúvida paira no ar. Será mesmo?
Era mesmo...gargalhada geral:
-"Não existe mercado menos tecnológico que o mercado do cócó de bebé!"

Existe melhor forma para terminar com uma discussão vã e oca?
Genial!

Sexta-feira, Abril 29, 2005

Ribeira de Pena

-"Então, por onde andaste?"
-"Matosinhos, Guimarães, Ribeira de Pena..."
-"E que tal?"
-"Por acaso, Ribeira de Pena é bem engraçado...aconselho!"
-"Mas aconselhas...como? Um fim de semana ou viver?"
-"Aconselho para um rissol acompanhado de um Sumol!"
-"Ah! E onde é que isso fica?"
-"Perto de Vila Pouca de Aguiar e perto de Chaves..."

Ah...Grande Edu!

P.S. Eu sei que não gostas de ser anónimo...mas incógnito, sim!

Terça-feira, Abril 26, 2005

Thank you, Rufus!

Porto, Segunda-feira, 25 de Abril de 2005, 11 horas.
- "Bom dia! 'Tás bom?"
- "Bom dia! Tou e tu?"
- "Olha, estou aqui na FNAC, o Rufus toca cá hoje, no Coliseu!"
- "Hein? Então não ía só a Lisboa?"
- "Pois, parece que não! Eras "menino" para ir?"
- "Claro..."
- "Ok...Então compro 3 bilhetes, não é?"
- "Sim...."
- "Depois ligo a dizer qualquer coisa...Abraço!"
- "Abraço..."

Porto, Segunda-feira, 25 de Abril de 2005, 20.45 horas.
- "Isto está um bocado vazio..."
- "Nã...o "pessoal" sabe que vai haver 1ª parte, vem mais tarde..."
- "É! Deve ser isso..."
- "Até é melhor... assim mais intimista!"
- "Pois..."

Porto, Segunda-feira, 25 de Abril de 2005, 21.45 horas.
- "Um bocado minimalista, não achaste?"
- "Sim...Esta Joan quê...As Police Woman (?), não desenvolve..."

Porto, Segunda-feira, 25 de Abril de 2005, 22.00 horas.
- "É...Está mesmo "curto" o Coliseu!"
- "Pois...1/3...talvez?"
- "Mas quem veio gosta...isso é que é importante...ou não?"
- "Claro...agora cala-te!"

Porto, Segunda-feira, 25 de Abril de 2005, 24.00 horas.

- "Fantástico!"
- "Soberbo!"
- "Genial!"

Já terei no curriculum para cima de 50 concertos ao vivo e nunca, mas mesmo nunca fui tão surpreendido, como nos "encores" da noite passada!
Houve um momento tão alto, tão alto que é difícil descrever! Foi logo no primeiro retorno ao palco, à segunda música... o burlesco teatral, o ambiente de cabaret muito anos 50, a fantasia da Alice (no País das Maravilhas), o fétiche Sado-Maso, o erótico "à lá" Henry Miller, o Bolero de Ravel...está lá tudo e o Coliseu quase vem abaixo com menos de meia casa!
No palco, "lingerie", "lantejoulas", "fio dental", "penas", "asas de anjo", "chicotes", "cabedal"...a música está num frenesim imparável...êxtase, êxtase integral! Absolutamente brilhante: "Oh...What a World...we living"

Isto, convém dizer, depois de pequenas maravilhas, como "The One You Love" (um devaneio melódico), Little Sister" (uma homenagem sentida), "Cigarettes and Chocolate Milk" (um "hit"), "14 th Streer" ("Hello? Brian Wilson, are you there?"), "California" (uma homenagem à "Europes's California..." Portugal? Sim!!!), "Gay Messiah" (uma auto-biográfica e dedicada ao Papa...), "The Art Teacher" (uma vaidade pessoal), "Hallelujah" (outra homenagem a "guess who"), "Crumb by Crumb" (uma canção de amor, "so...swing and swing again with your love"), "Greek Song" ("You turn me on!"), "Beatiful Child" ("for you...beautiful children's!"), "Vibrate" ("...looking for a go-go dancer with i spent a night...it's a true story!", "Foolish Love" (não é sempre?), e mais e mais...

Assim se vive o inesperado...depois de 20 canções(contadas pela Bá e cantadas pelo Rufus), 2 horas de música e 2 "encores" memoráveis, o regozijo era total!

Grande, grande Rufus Wainwright!